16 jul 10


Laudo não aponta dano psíquico em adolescente que exibiu seio em peça

Justiça de SP dá alvará para atriz de 16 anos atuar, mas sem mostrar peito.
No Orkut, fãs protestam contra proibição a Malu Rodrigues: ‘censura’.

 

 

 

 

 

 

Laudo da Seção Técnica de Psicologia da Vara da Infância e Juventude de São Paulo sobre o comportamento da atriz adolescente emancipada Malu Rodrigues, que foi proibida pela Justiça paulista de exibir o seio no ousado musical da Broadway “O Despertar da Primavera”, não constatou nenhum dano psicológico à atriz pelo fato de ela participar da peça teatral.

O resultado dos exames foi entregue à Justiça paulista, que, por esse motivo, concedeu o alvará permanente para a garota de 16 anos atuar no musical até o final da temporada . A Justiça, no entanto, manteve a proibição da exibição do peito da menina, que era mostrado por ela em uma das cenas em que interpretava a personagem Wendla. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (14) pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Malu diz que fica feliz com alvará da Justiça para continuar atuando, mas reitera que cena do seio não é pornográfica.

Por causa desse veto, os diretores da peça tiveram de fazer algumas mudanças. Quando o ator que faz o papel de Melchior abre o vestido de Wendla, ela está usando uma outra peça de roupa por baixo. Antes, aparecia o seio direito de Malu por alguns segundos.

‘Censura’
Apesar da descrição técnica acima, alguns juristas divergem do entendimento do juiz. Para eles, a emancipação anula o ECA.

Fãs do espetáculo, que tem censura até 14 anos de idade, criticaram a decisão do juiz, a qual chamam de “censura”. Na página oficial do musical na internet e em sites de relacionamento, jovens convocam espectadores e sugerem aos atores um protesto.

Quem assistiu a “O Despertar da Primavera” no Frei Caneca comentou que é possível ouvir pessoas gritarem ao fim do espetáculo: “1891 – censurada; 1906 – censurada e 2010 – censurada”, numa referência aos problemas que a peça escrita pelo alemão Frank Wedekind encontrou por tratar de temas como sexo, homossexualidade, incesto e suicídio durante a adolescência.

“Gostaríamos que, além da cena do seio, os temas que a peça aborda também sejam discutidos pela imprensa: perda da virgindade, gravidez na adolescência ”, afirmou Rubens Aizenberg , da Divina Comédia, uma das sócio-produtoras do espetáculo. Os produtores da peça ainda não decidiram se pretendem entrar ou não com um recurso na Justiça para manter a originalidade da peça.

A página pessoal de Malu no Orkut também recebeu comentários de apoio e incentivo. Procurada nesta quarta para comentar o assunto, a adolescente afirmou que ficou feliz com a decisão da Justiça em conceder o alvará permanente para ela atuar.

“Eu adorei saber. Graças a Deus eles viram que não tem problema nenhum com o musical”, disse Malu, por telefone, do Rio. Ao ser questionada sobre a manutenção judicial ao veto do seio no espetáculo, a atriz pediu para desligar o telefone. “Estou na aula, tchau!”.

Malu mora com o pai e com a avó no Rio. Ela também havia comentado que era virgem, que nunca havia namorado e que estudava em um colégio de freiras. “Ninguém que assistiu à peça saiu de lá chamando minha filha de gostosa ou piranha”, afirmou o pai de Malu, o auditor fiscal Sérgio Rodrigues.

Fonte: G1

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